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Bastidores: Gravações do “Projeto
48”, da TNT, no Rio de Janeiro – Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z
Notícias – Data: 06/09/05 – A menção dos créditos é obrigatória
Adrenalina cinematográfica
por Luis Augusto Nobre
TV Press
O
Rio de Janeiro foi escolhido para ser sede de um “reality-show” diferente. O
“Projeto 48”, da TNT, desembarcou na cidade com o desafio de fazer um
curta-metragem de até 15 minutos, em película 16 mm, em apenas 48 horas. A
proposta do canal por assinatura mexeu com os ânimos dos apaixonados por
cinema de todo o Brasil, que inscreveram mais de 80 roteiros. O diferencial
desse “reality” é que a equipe vencedora tem o “making off” exibido em toda
a América Latina, assim como o filme rodado. O projeto idealizado por Ariel
Guntern, diretor de criação da TNT, está em sua terceira temporada e já
passou por São Paulo em três edições. A apresentação vai ficar a cargo de
Leandro Firmino da Hora, que já apresentou uma das edições anteriores. “Isso
é um incentivo para a galera que tem vontade de fazer e que faz cinema”,
afirma o ator, que ficou conhecido ao interpretar o bandido Zé Pequeno, no
filme “Cidade de Deus”. Na televisão, Leandro vive o Jonas no seriado “Mano
a Mano”, que está sendo atualmente reprisado na RedeTV!. A edição carioca do
“Projeto 48” vai ser exibida no mês de novembro, em episódios de 30 minutos.
Com
o roteiro “Jaz Aqui a Liberdade”, de Diogo Ely, o grupo Tô Chegando, formado
pelos estudantes de cinema cariocas Diogo Ely, Mariúcha Borges e Raphael
Lemos, venceu os concorrentes. “Só por estar entre os quatro finalistas já
era muita coisa, pois éramos o grupo mais jovem”, festejava Mariúcha, a
diretora de arte. O curta conta a história de uma família do sertão
brasileiro que enfrenta o problema da seca. Certo dia, aparece um grupo de
cangaceiros que oferece dinheiro para a família tomar conta de uma refém.
Ambientada no período
da
Primeira Guerra Mundial, o drama começa quando a falta de água perturba a
todos. “Além de falar do sertão, falo da ganância. O dinheiro não serve para
nada em certas situações”, define Diogo, que é o diretor e o roteirista. A
equipe recebeu três desafios. Além do tempo de 48 horas para gravar e
editar, tiveram de modificar o gênero do roteiro - o que era um drama acabou
virando um filme de suspense. Para completar, tiveram de inserir no roteiro
uma cena na praia e outra com despacho de macumba.
O
curta foi rodado em Itaipuaçu, localidade praiana do município de Maricá.
Distante aproximadamente 80 quilômetros do Rio, a locação aumentou as
dificuldades para a produção. Além da maltratada estrada de terra para
chegar lá, a possibilidade de chuva também era um desafio. “Eu jurava de pé
junto que não ia chover. Quando choveu no sábado, entrei em desespero”,
brinca Raphael, o diretor de produção. Mas a chuva que caiu não chegou a
atrapalhar o andamento das gravações. Além do apoio dado pela equipe do
“Projeto 48”, eles também receberam ajuda de colegas do curso de cinema.
Dessa forma, conseguiram cumprir o desafio em 47 horas, sendo 28 delas
dedicadas à gravação e o restante à edição. “O meu sonho é montar uma
comunidade de produtores de 48 horas em toda a América Latina”, ressalta
Ariel Guntern, que já viabilizou outras edições do “Projeto 48” no Chile, na
Venezuela, na Argentina e no México.
Antes
de começar a gravar, o grupo Tô Chegando teve um dia de pré-produção, onde
pôde escolher as locações e o elenco. Tudo teria de caber num orçamento de
R$ 22.800, estipulado pela TNT. “Eu pensava que seriam US$ 20 mil”,
resmungava Raphael. Se os três eram unânimes ao vislumbrar, com o “Projeto
48”, uma chance de abrirem portas no mercado cinematográfico brasileiro, o
fato de se tornarem participantes de um “reality-show” gerou posturas
diferentes. “Sempre odiei câmera. Quando começou a gravação, ficava nervoso
em certos momentos”, desabafa Diogo. “Não tenho horror a câmera, mas travo
diante de uma”, admite Mariúcha. “Eu estava adorando. É um 'reality' que
mostra o que a gente quer fazer para o resto da vida”, comemora Raphael, que
sempre teve vontade de participar de um programa assim.
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