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Cinco perguntas: Luiz Fernando
Carvalho – Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias – Data: 06/09/2005 –
A menção dos créditos é obrigatória
Artesão visionário
por André Bernardo
TV Press
Nos
últimos dez anos, Luiz Fernando Carvalho não fez outra coisa senão tentar
convencer a Globo a produzir “Hoje é Dia de Maria”. Quando conseguiu, o
diretor de “Renascer”, “O Rei do Gado” e “Esperança” pôde finalmente
transformar em realidade o sonho de adaptar para a tevê contos populares de
Câmara Cascudo e Sílvio Romero, dois dos mais famosos folcloristas
brasileiros. O resultado surpreendeu à própria Globo. Exibida em janeiro
deste ano, “Hoje é Dia de Maria” alcançou média geral de 30 pontos e “share”
de 50%. “Os contos em que me baseei para fazer a microssérie são todos de
forte apelo popular. Não tinha como o povo brasileiro não se identificar com
o que estava vendo na televisão”, orgulha-se.
De fato, o sucesso foi tanto que, menos de um ano depois,
a Globo anuncia a segunda temporada de “Hoje é Dia de Maria” para 10 de
outubro. Para não se repetir, Luiz Fernando tomou o cuidado de fazer a
segunda versão mais musical que a primeira e transpor a narrativa do campo
para a cidade. Dessa vez, Maria, interpretada por Carolina Oliveira, de 10
anos, sai à procura de si mesma em uma metrópole devastada pela guerra. Além
da segunda temporada, “Hoje é Dia de Maria” ganha também trilha sonora em CD
e versão para o cinema. Por enquanto, Luiz Fernando só descarta mesmo é a
hipótese de haver uma terceira temporada. “Não há a menor possibilidade. E
por um motivo simples: em um ano, a Carolina mudou muito. Daqui a pouco, já
vai estar adolescente...”, lamenta.
P – Quando você percebeu que “Hoje é Dia de Maria” renderia uma segunda
temporada?
R – Desde o início, sentia a necessidade de completar a história, fechar um
ciclo... Imediatamente, pedi à Globo que não desmontasse o “domo” porque
estava decidido a escrever uma segunda parte para “Hoje é Dia de Maria”.
Eles toparam e eu escrevi. Mesmo assim, não queria me repetir. Nem que o
elenco se repetisse. Então, propus que a segunda temporada fosse mais
musical que a primeira. E, principalmente, mais social também. Isso tem a
ver com o momento político que estamos vivendo.
P – Apesar do horário ingrato, você esperava que a microssérie registrasse
uma média geral de 30 pontos no ibope?
R – Em termos de audiência, eu não sabia se o programa ia dar certo porque
era exibido muito tarde. Era quase uma “Sessão Coruja”... Mesmo assim,
desconfiava que pudesse dar certo porque confiava muito nos contos populares
de Câmara Cascudo e Sílvio Romero. São contos escritos “pelo” e “para” o
povo. Por isso mesmo, têm forte apelo popular. Não tinha como o público não
se identificar com aquilo...
P – A que horas você gostaria que a microssérie fosse exibida?
R – Ah, o ideal é que fosse exibida logo após a novela das oito. Afinal, um
tema como infância diz respeito a todos nós. Principalmente porque a
microssérie não tem uma linguagem infantil. Ainda assim, muitas crianças
viram. E gostaram do que viram.
P – Você já pensa em fazer a terceira temporada de “Hoje é Dia de Maria”?
R – O que posso dizer é que o Câmara Cascudo possui um material vastíssimo,
diria até infinito. Se fosse o caso, daria até para fazer uma série diária.
O problema diz respeito à Carolina. Todas as noites, antes de dormir,
agradeço a Deus por tê-la encontrado. Sem ela, talvez não tivesse feito
“Hoje é Dia de Maria”. E a Carolina, como você pode verificar, está
crescendo. Daqui a pouco, ela já vai ser uma adolescente. Por isso mesmo,
tenho a consciência de que estou fazendo a segunda e última temporada da
série.
P – E quanto ao cinema? O que achou da proposta da Globo de transformar a
microssérie em longa-metragem?
R – Não achei que valesse a pena. Afinal, a microssérie trabalha com dois
planos distintos: o da infância e o da vida adulto. Para transformá-la em
longa, teria de focar apenas um deles. Minha proposta, então, foi fazer não
um, mas dois filmes. Aí, eles toparam e me pediram para fazer a edição.
Vamos ver no que vai dar...
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