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Crônica: “Essas Mulheres” –
Foto: divulgação – Data: 06/09/2005 – A menção dos créditos é obrigatória
Essas e outras mulheres
por André Bernardo
TV Press
A
novela “Essas Mulheres”, da Record, está longe de repetir o sucesso de sua
antecessora. Ao contrário de “A Escrava Isaura”, novela de Tiago Santiago
que registrou média geral de 15 pontos no Ibope, a trama de Marcílio Moraes
dificilmente bate na casa dos dois dígitos. A honrosa exceção da regra
aconteceu no dia em que a cortesã Lúcia, interpretada por Carla Regina,
apareceu, toda brejeira, tomando banho de tina. Mesmo assim, a trama que
reúne três romances do escritor José de Alencar – “Senhora”, “Lucíola” e
“Diva” – não chega a fazer feio no Ibope. Explica-se. Com uma audiência
média de oito pontos, “Essas Mulheres” tem conseguido ocupar a segunda
colocação, à frente do “SBT Brasil” e do “Jornal da Band”. Na última semana
de agosto, a trama da Record chegou a bater o telejornal de Ana Paula Padrão
por dois pontos de diferença. Sinal de que a emissora já conquistou um
público cativo no horário das 19 h.
Um dos maiores méritos de “Essas Mulheres” é, como o
próprio título sugere, o elenco feminino. No que diz respeito à trinca de
protagonistas, Christine Fernandes, Carla Regina e Miriam Freeland têm
correspondido às expectativas. Também pudera. Duas delas, Christine e
Regina, já encabeçaram o elenco de outras novelas antes. Na nova emissora,
as três demonstram razoável competência em papéis de destaque, que
dificilmente conseguiriam na Globo. No momento, as três personagens vivem
momentos, digamos, pouco impactantes. A sofrida Aurélia Camargo, de
Christine Fernandes, continua a choramingar pelos cantos a separação de
Fernando, personagem de Gabriel Braga Nunes. Já Lúcia, a cortesã de Carla
Regina, anda suspirando por Paulo, de João Vitti. A Mila, de Miriam Freeland,
por sua vez, não esconde a alegria por estar trabalhando como caricaturista
da Gazeta Liberal.
Faltando um mês para o final da novela, Marcílio Moraes
resolveu promover um saudável rodízio entre os personagens da novela. E,
mais uma vez, os femininos se sobressaíram aos masculinos. Do elenco
secundário, Talita Castro, a fútil Bela, e Ingra Liberato, a submissa Marli,
têm procurado aproveitar a oportunidade que o autor lhes dá. E, seguramente,
não têm desapontado. Ambas estão fazendo por merecer melhores chances da
próxima vez. Ana Beatriz Nogueira, que interpreta a autoritária Leocádia,
também não fica atrás. O primeiro desafio da atriz foi convencer, aos 38
anos, como mãe dos personagens de Miriam Freeland e Teodoro Cochrane. Para
convencer o público, resolveu dar um tom mais austero e sisudo à personagem,
que vive às turras com a filha problemática.
Mas a maior surpresa é, sem sombra de dúvida, a bela
Adriana Garambone. No papel de Adelaide, tem roubado todas as cenas de que
participa. Sozinha ou com o experiente Paulo Gorgulho, que dá vida ao
inescrupuloso Lemos, prova o quanto tinha sido mal aproveitada pela Globo.
Na Record, a moça esbanja segurança no papel da megera que faz de tudo para
arruinar o casamento de Aurélia e Fernando. De uns capítulos para cá,
resolveu arruinar também o casamento do pai. Decidida a dar um fim no
romance entre o banqueiro Artur Amaral e a professora Ordália, não hesitou
em tramar a morte da futura madrasta por envenenamento.
Mas, apesar das boas atuações de Ana Beatriz Nogueira e
Adriana Garambone, o foco principal de “Essas Mulheres” deve voltar, em
breve, para a principal trinca de damas. Na reta final da novela, que
termina 14 de outubro, Marcílio reserva boas surpresas para as três. Como
convém a qualquer folhetim que se preze, cada uma tem um segredo a esconder.
O de Aurélia diz respeito à carta misteriosa que compromete Lemos. Já o de
Lúcia faz alusão à própria identidade, mantida em sigilo desde que trocou de
lugar com uma famosa cortesã. E o de Mila deve vir à tona quando ela
finalmente revelar que ficou perturbada assim depois que viu a mãe traindo o
pai, Duarte, interpretado por Ewerton de Castro. Com tantas cartas na manga
do autor, quem sai ganhando é o público. Afinal, nunca faltaram “curingas”
nesse baralho... |