Perfil

 

Perfil: Malvino Salvador – Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias – Data: 06/09/2005 – A menção dos créditos é obrigatória
Humor bruto
por Alexandre Coelho
TV Press


        Malvino Salvador não teve nem o trabalho de fugir do estigma. Apesar de ter convencido na pele do mal-encarado Tobias, em “Cabocla”, ele logo foi chamado para voltar num papel diametralmente oposto. O cozinheiro Vitório, de “Alma Gêmea”, tem formado um par bem-humorado, e até apimentado, com Drica Moraes, a Olívia da trama das seis. Os dois formam um casal que se gosta mas vive brigando, enquanto tocam para a frente o restaurante em que trabalham. Para Malvino, a companhia de uma atriz experiente como Drica Moraes é o melhor de tudo. “Eu só posso evoluir trabalhando com ela. A Drica é uma das melhores atrizes do país”, derrete-se.
        Fazer rir, por outro lado, é uma exigência nova na carreira de Malvino Salvador. O ator admite que tudo que trabalho e estudou até agora foi dirigido ao drama. E para complicar, ele vê muitas semelhanças entre o Tobias e o Vitório, apesar de o primeiro ser um personagem mais “carregado” e o segundo mais bem-humorado. Ainda assim, Malvino descreve os dois como “estourados” e grosseiros, mesmo sendo pessoas leais e amáveis. As semelhanças, contudo, dificultaram o processo de construção do atual personagem. “A grande diferença é que o Tobias era capaz de matar e o Vitório não. O Tobias tinha aquele sangue frio do matador, o olhar do matador, uma coisa interna”, distingue.
        Além de buscar as diferenças essenciais entre os dois personagens, Malvino precisou criar uma maior intimidade com o universo do humor. Para isso, leu alguns livros sobre comédia e recorreu à filmografia de Charles Chaplin. A essa “pitada” de humor, ele acrescentou às observações que fez durante cerca de três semanas na cozinha de um restaurante em São Paulo. Lá, além de entender como é o dia-a-dia de uma cozinha, o ator encontrou o tom ideal para o personagem. “Seu Zé, o chefe de cozinha de lá, é muito amável, mas tem um jeitão meio grosseiro. Ele é do interior, é um cara que aprendeu na prática, não fez curso nenhum. E o Vitório também é assim”, compara.
        Nascido em Manaus em 1976, Malvino Salvador não se assusta com a exposição escancarada que a televisão impõe. Antes de despontar em “Cabocla”, em 2004, o ator já se destacava como modelo em sua cidade natal, onde ficou até os 25 anos, e em São Paulo, para onde se mudou para estudar teatro. Ainda assim, admite, nada se compara à projeção que a televisão proporciona. E a resposta do público que o aborda nas ruas é vista por Malvino como reconhecimento de um bom trabalho. Curiosamente, até mesmo o “carrancudo” Tobias ganhou o apoio do público, quando o personagem teve a noiva Zuca “roubada” pelo amigo Luiz Jerônimo. “Uma vez eu fui parado em uma blitz e um dos policiais me chamou no canto e falou: 'olha, rapaz, mata aquele almofadinha'. Imagina! Foi inacreditável!”, diverte-se.
        Os frutos colhidos nos últimos dois anos são conseqüência de uma espécie de contrato de risco entre Malvino e seus pais. Quando deixou Manaus em 2001, convidado pra trabalhar como modelo em uma agência em São Paulo, ele pediu que o pai bancasse seus estudos por um ano. Se as coisas não dessem certo, ele voltaria para casa e concluiria o curso de Ciências Contábeis, interrompido no quarto ano, e embecaria terno e gravata até se aposentar pelo INSS. “Eu queria ir com um objetivo e garanti que estudaria e ele teria esse retorno. No começo eu passei por algumas dificuldades, mas depois as coisas foram dando certo”, orgulha-se. Com a curta carreira cada vez mais consolidada, Malvino Salvador já projeta os próximos passos. Ele estuda alguns textos para voltar ao teatro depois do término de “Alma Gêmea”. E sonha estar em uma trama contemporânea, quem sabe, escrita por Manoel Carlos. “Eu adoraria. Gosto muito daquele ambiente, das músicas, do Leblon... Ele tem um refinamento artístico...”, insinua-se.

Sugestão do “chef”
        Foram três horas por dia durante três semanas. A bisbilhotice de Malvino Salvador na cozinha de um restaurante paulistano lhe valeram mais do que preciosas observações para compor o cozinheiro Vitório, de “Alma Gêmea”. A começar pelo encontro com o cozinheiro Seu Zé, chefe de cozinha que inspirou o personagem. “Eu fiquei mais atento ao modo como o cozinheiro lida com sua arte, como ele mexe o prato, como ele quebra um ovo, como ele prova, seu olhar, sua respiração. Isso para mim era o mais importante”, conta.
        Tanto que a experiência não foi suficiente para fazer do ator nem um “cozinheiro de fim-de-semana”. Prático e com a agenda quase sempre apertada em função das gravações, Malvino prefere sair para jantar a se arriscar a preparar a própria refeição. O ator garante, entretanto, que, antes desse envolvimento com a culinária proporcionado – e exigido – pelo atual personagem, sua intimidade com a cozinha era ainda menor. “Esse laboratório foi muito importante para mim porque eu mal sabia fritar um ovo”,  confessa.
        De mal saber fritar um ovo a ousar preparar um jantar completo para os amigos, a evolução do “chef” manauara é digna de menção. A tal ponto que o ator arrisca enumerar os itens das receitas de um ou dois pratos, autênticas “especialidades da casa”. “Eu aprendi a fazer umas coisinhas, como uma Picanha às Avessas e um Arroz de Bacalhau, além de outras coisinhas básicas, como alguns molhos”, gaba-se. Ele jura que, até hoje, nenhum dos amigos reclamou de seus temperos. Afinal, amigo é para essas coisas...

Instantâneas
# O primeiro trabalho profissional de Malvino Salvador foi na peça “Blue Jeans”, que teve direção de Wolf Maia.
# Em São Paulo, o ator estudou teatro nos cursos de Wolf Maia e Fátima Toledo. Além disso, fez aulas de canto com Eudósia Acuña Quintero, especializada em atores.
# Além de Drica Moraes, Malvino cita outros dois atores, com quem contracenou em “Cabocla”, a quem considera mestres: Tony Ramos e Sebastião Vasconcelos.
# Antes de trocar Manaus por São Paulo, onde trabalhou como modelo e estudou teatro, Malvino cursava a faculdade de Ciências Contábeis e trabalhava em um banco.
# Em sua segunda novela das seis, o ator vê no horário a possibilidade de trabalhar sem a pressão das novelas das oito.

 


topo | Principal | Perfil | Bastidores | Close | Circuito Interno | Raio X | Cinco Perguntas | Inside | Teleobjetiva | Zapping | Crônica | Via Cabo | Destaques da Semana | Resumos | TV Cine | Ponto de Vista