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Bastidores
Bastidores: gravações de "Afinal, O Que Querem as
Mulheres", da Globo – Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta
Z Notícias – Data: 28/09/2010 – A
menção dos créditos é obrigatória
Sem ponto final
"Afinal, O Que Querem as Mulheres?" não consegue responder a
dúvida lançada por Freud
por Márcio Maio- TV Press
Luiz Fernando Carvalho tenta decifrar uma questão que
Sigmund Freud lamentou não conseguir. O diretor finalizou as
gravações de "Afinal, O Que Querem as Mulheres?",
nova série da Globo, prevista para estrear em novembro. O
programa usa a trajetória de um psicanalista patético –
interpretado por Michel Melamed – e suas confusões amorosas
para, no final, não responder a célebre pergunta. Na
história, André desenvolve uma tese e publica um livro com
esse tema que vira um grande sucesso. E é quando chega ao
topo da fama que ele experimenta, aos poucos, as frustrações
de um homem que, na verdade, não entende o sexo feminino.
Tanto que, na cena em que conhece a despojada Sofia, de
Letícia Spiller, já depois de ser largado pela esposa Lívia,
de Paola Oliveira, é mostrado com uma máscara que traduz
perfeitamente a imagem de "bobão solitário". "Nada
no Luiz Fernando é óbvio. Desde o processo de construção do
personagem, da interação da equipe até a montagem e
finalização, tudo é feito de maneira profunda. Está aí um
diretor que nunca é raso", derrete-se Letícia.
Na trama, André começa casado com a artista plástica
Lívia, mas entra tão fundo nos estudos para sua tese que
acaba por deixar a esposa de lado. E isso faz com que ela,
no decorrer dos seis episódios da série, se separe e procure
a felicidade com o bom partido Jonas, de Dan Stulbach.
"O
André gosta dela e sente muito o fim do casamento. A série
mostra bem vários lados da relação homem/mulher através não
só dos dois, mas também de todas as outras uniões que se
formam a partir deles", explica Paola, minutos antes
de gravar a sequência do primeiro encontro entre André e
Lívia, um "flashback".
A locação escolhida, assim como a maioria das cenas
gravadas na série, fica em Copacabana, no Rio de Janeiro. Na
porta do Roxy, um dos raros cinemas de rua da Zona Sul
carioca, o diretor tenta marcar bem dois momentos
importantes: o primeiro encontro do protagonista André com
duas das três mulheres de sua vida – a terceira é sua filha
que nasce no final da série. Tudo começa com Sofia,
defendida por uma Letícia Spiller completamente transformada
pelas cores berrantes da roupa até o cabelo, enfeitado com "dreadlocks"
e mechas rosa. "Quem é a loura", pergunta um
pedestre, que se espanta ao ouvir que se trata de Letícia.
Mas logo se certifica disso quando a atriz, grávida de cinco
meses, se aproxima da luz e reclama, em tom de brincadeira,
da roupa justa. "Na primeira vez em que vesti, estava
certinha, há cerca de um mês. Agora, quase não entra",
ri, acarinhando o ventre, olhando para Michel, barbado neste
"take".
A cena seguinte, com Paola, acontece no mesmo cinema.
E também na fila da bilheteria. Para marcar as diferenças de
tempo – mesmo numa série que, segundo o diretor/autor, é
atemporal –, Michel corta a barba da primeira para a segunda.
Chamado para conversar com a imprensa, pede para falar no
final. Não quer atrapalhar o processo. Essa, aliás, é a
palavra mais dita pela equipe. Paola Oliveira, única do trio
que trabalha pela primeira vez com Luiz Fernando Carvalho, é
a que mais repete a expressão. "O processo de trabalho
é muito interessante. Luiz é crítico. Por trás de tudo,
sempre tem algo mais. E, hoje em dia, tudo é tão claro,
simples, digerido, é fascinante trabalhar com alguém assim",
valoriza a jovem atriz. E é justamente esse "algo mais"
que faz com que ela, de cabelos curtos e escuros, tenha de
atravessar a famosa Avenida Nossa Senhora de Copacabana
perto de umas 50 vezes. Primeiro, com um penteado anos 60.
E, depois, de cabelo solto. Isso às quatro horas da manhã,
sempre embaixo de uma tempestade "fabricada"
no local e batendo os dentes sem parar. "Meus pés
parecem dois maracujás de tão enrugados", brinca,
depois de sair da chuva artificial.
Com uma câmara apenas, Luiz Fernando experimenta
diversas formas de gravar. Faz a mesma cena dezenas de vezes,
cada hora focando em um detalhe. Seja a boca dos mocinhos,
seus olhares, testas, enfim, cada parte expressiva de Paola
e Michel ganha espaço nas repetições. Como se trata de um "flashback",
cuja lembrança não está necessariamente tão clara na mente
de André, o diretor grava as imagens através de um espelho.
Ora com mais nitidez, ora mais desfocadas. Apostando em um
jogo de cores que ilumina o elenco e marca bem não só a
condição de sonho, mas também o excesso de tons impresso
pelo famoso bairro carioca, cheio de "outdoors",
sinais de trânsito e letreiros de lojas. "A gente
trabalha com certa atemporalidade, mas com um eixo: os anos
60 e 70, quando a cultura de massa, de um modo geral,
trabalhou muito as cores primárias. A ideia é dialogar um
pouco com esse gesto", justifica Luiz Fernando.
"Afinal, O Que Querem as Mulheres?" – Série prevista
para estrear em novembro, na Globo.
A menção dos créditos é obrigatória
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