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Cinco Perguntas
Cinco Perguntas: Thiago Fragoso, o Vitor de "Araguaia",
da Globo - Foto: Carta Z Notícias – Data: 28/09/2010 – A
menção dos créditos é obrigatória
De asas cortadas
Em "Araguaia", Thiago Fragoso mostra seu lado mau como o
ambicioso empresário Vitor
por Arcângela Mota - TV Press
Os loiros cabelos cacheados e olhos verdes de Thiago
Fragoso sempre renderam ao ator uma imagem de bom moço. Mas,
apesar de encarar esse título com bom humor, ele agora se
empolga em trabalhar um lado nada angelical. No ar em “Araguaia”,
novela das seis da Globo, Thiago dá vida a um dos vilões da
história, o frio empresário Vitor Vilar, noivo da mocinha
Manuela, de Milena Toscano. Na trama, Vitor alia-se ao pai
da moça, o inescrupuloso fazendeiro Max, de Lima Duarte,
para atrapalhar o relacionamento dela com o aventureiro
Solano, personagem de Murilo Rosa. “Acho que essa
coisa de anjinho está ficando para trás. Esse personagem vem
em um momento bom para mostrar isso, uma maturidade maior”,
avalia o ator, agora com os cabelos ondulados e sem os
tradicionais cachos.
As vilanias do personagem, no entanto, podem não durar
muito tempo. Tudo porque, em um determinado momento da
história, Vitor sofrerá um acidente e reaparecerá menos
ambicioso e mais ligado à região do Araguaia. “É um
personagem atípico. Faz muitas maldades no início, mas
também terá atitudes nobres. Depois do acidente tem uma
reviravolta grande, mas não sei para que lado a gente vai”,
despista Thiago.
P – Em 16 anos de tevê, sua imagem ficou muito associada
a tipos bonzinhos. Como tem sido fazer um vilão?
R – Estou
adorando. E o mais interessante para mim é que o Vitor não é
apenas um vilão. É um cara que faz maldades, participa das
vilanias, mas que também terá uma grande transformação em um
determinado momento da história. É um personagem sinuoso,
você não sabe bem para que lado vai. Curto essa ambiguidade.
E acho curioso eu ter essa imagem forte com o público dos
meus personagens bonzinhos. As pessoas esquecem que já fiz
papéis bem problemáticos, como o Nando de “O Clone”,
por exemplo. Elas guardam que sou o bom moço porque tenho
cara de um.
P – Mas você acha que sua aparência foi importante para
esse perfil dúbio do personagem?
R – A
gente até relaxou um pouco o cabelo para não ficar com
aqueles cachos muito certinhos. Passei a usar o cabelo um
pouco diferente, mais ondulado. Não diretamente para quebrar
a referência angelical. Estou com 28 anos, em um novo
momento de vida, mais maduro. Acho que essa coisa de anjinho
está ficando para trás. O Vitor é um personagem que vem em
um momento bom para mostrar isso, essa maturidade maior. E
também quebra um pouco a imagem de figura inocente.
P – O Marcos Schechtman é um diretor que costuma dedicar
muito tempo para a preparação dos atores. Como foi esse
processo para você?
R – Comecei
a me dedicar à novela no início de abril. Tive uma
preparação objetiva, visitando frigoríficos e acompanhando o
trajeto dos bois do pasto até a morte, já que o Vitor
trabalha com isso. Também fiz aulas de forró com a Milena
Toscano e a Júlia Lemmertz porque o Marquinhos queria criar
uma interação maior entre nós. E o tempo em que estive no
Araguaia foi uma imersão total. Passei cerca de 40 dias lá e
ficamos quase 100% conectados com a novela. É uma natureza
avassaladora. Foi tudo muito forte. Estudamos e nos
preparamos bastante, o que nos deixou com muita informação
para construir os personagens.
P – Vocês e o Marcos trabalharam juntos em “O Clone” e “A
Casa das Sete Mulheres”. Foi ele que te ofereceu esse papel
em “Araguaia”?
R – Sim.
Na verdade, ele me chamou para conversar e me deu um leque
de opções. Virou para mim e disse: “Thiago, eu quero
que você escolha. Me diga como você está e o que se sente
melhor para fazer neste momento da sua vida”. Quando
disse “tem esse personagem com um estilo mais
romântico, esse mais vilão...” parei na hora e disse
que queria o vilão. Ele comentou que eu tinha uma energia
romântica muito forte, fácil de lidar, e que queria saber o
que eu estava com vontade de fazer.
P – Por que tanta vontade de interpretar um vilão?
R – Eu
consegui, na tevê, fazer uma vez um personagem parecido com
o Vitor, nesse clima de vilão que depois fica legal. Foi em
1996, em “Malhação”. Teve outro momento, em “Agora
é que são Elas”, que eu entrava no final da novela para
infernizar todo mundo. Me diverti demais. Ainda continuo com
esse desejo porque a maldade na tevê liberta muito. Você não
tem muito que se preocupar porque o vilão está sempre
quebrando os trilhos enquanto o mocinho tem de estar na
linha. Se não gostarem do vilão, melhor ainda. Adoraria ser
odiado, mas acho que não chegarei a esse ponto porque o
Vitor não é um cara tão mau assim.
“Araguaia” - Globo - Segunda a sábado, às 18 h.
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