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Crônica

 

Crônica: "Araguaia", da Globo - Foto: Milena Toscano e Murilo Rosa: divulgação - Data: 28/09/2010 - A menção dos créditos é obrigatória

 

Aquarela do Brasil

"Araguaia" estreia exaltando belezas naturais e apresenta elenco afinado

por Mariana Trigo - TV Press



     

 

O ritmo e enquadramento da lente do diretor Marcos Schechtman fazem de "Araguaia" uma pintura em movimento. Explorando os mais diversos matizes das águas e matas que circundam o Rio Araguaia, o diretor da trama explicita seu talento como discípulo de Jayme Monjardim. Depois de trabalhar por diversas tramas ao lado de Jayme, Schechtman assina com maturidade a novela das seis mostrando o que mais sabe fazer: não confinar as produções em cenas de estúdios. Com uma profusão de tomadas externas, que lembram tramas anteriores do diretor, seja como assistente, caso de "A História de Ana Raio e Zé Trovão", ou à frente de "Amazônia", "Corpo Dourado", "O Clone" e até "Caminho das Índias", Schechtman tem o mérito de conseguir fazer do horário das seis da Globo uma pausa para a contemplação. A profundidade das imagens de belezas naturais da história de Walther Negrão servem como um oásis na eletrizante programação da Globo. 

      Mas toda a ingenuidade indicada para as tramas do horário não se reflete na produção. Driblando a classificação indicativa e tentando atrair a audiência, que obteve satisfatórios 25 pontos de média na estreia, a história não economiza na sensualidade de grande parte das personagens. Desde os olhares lânguidos de Cléo Pires com vestidinhos sumários como a insinuante Estela, até a brejeira Suzana Pires como a madura e provocante Janaína, uma morena de andar rebolativo, a história se envolve numa luxúria discreta. São parcos figurinos rústicos e longos banhos de rio, que muitas vezes lembram tomadas de "Pantanal", da extinta Manchete.

      Nesse cenário que cruza estâncias, rios e vales, a trilha sonora se sobressai no estilo sertanejo, com canções como "Tocando em Frente", de Almir Sater, entoada pela voz afinada e grave de Paula Fernandes com participação de Leonardo, que remetem ainda mais ao clima campestre. Com espora de roseta afiada e chapéu de caubói, Murilo Rosa está à vontade como o mocinho Solano. Mesmo sem tanto carisma, o ator tem dado conta do personagem simpático e sedutor. Ao seu lado, Milena Toscano tem surpreendido como a mocinha Manuela. Segura na pele da determinada herdeira do severo e ressentido Max, de Lima Duarte, a atriz consegue se impor em sua protagonista e até roubar cenas mais densas com seu semblante de heroína indomável.

      Mas são os veteranos que, de fato, se destacam. Laura Cardoso, Lima Duarte e Júlia Lemmertz estão tão convincentes que parecem ter feito laboratório teatral para seus personagens. Recheados de nuances, ressentimentos e segredos, os três prometem grande parte das cenas mais envolventes da história, que tem como protagonista o clima de férias em um mergulho quase turístico pelo Centro-Oeste do Brasil.


 

A menção dos créditos é obrigatória
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